Viajando Pelos Trens de São Paulo

Fonte da imagem: http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/descarrilamento-de-trem-afeta-linhas-da-cptm-e-metro

  Nesse texto estaremos conversando sobre como é se “aventurar”, hoje em dia, nos nossos trens da grande São Paulo, em especial o trem da linha 12 Safira, que vai do Brás ao Calmon Viana e vice e versa. Boa leitura e não esqueça o seu bilhete.
  
  São exatamente 18 horas, em um dia qualquer da semana, entre segunda e sexta feira. Acabamos de chegar à estação do Brás, quanta gente, as pessoas surgem de todos os lados, e não há ninguém que eu conheça. Vamos pegar o trem que se destina a Calmon Viana, e já na escada que desse para a plataforma de embarque, observamos que as pessoas já estão abarrotadas, elas disputam por melhores lugares nos degraus que rolam sem parar, “vamos com calma minha gente, todos chegaremos lá em baixo”. Aqui não podemos ficar parado, para que ninguém se esbarre em nós. Pronto, primeira etapa concluída, na plataforma aguardemos o trem chegar.
  
  Aqui também está lotado, o número de pessoas parece não diminuir nunca, e muitos estão ansiosos pela vinda do trem, será que é a pressa de chegar em casa? Um detalhe, a maioria faz uso de aparelho celular, seja jogando, lendo, ouvindo música ou rolando a página do facebook, seja o que for esse grande número está intimamente isolada em seu mundo particular, estamos juntos e distantes ao mesmo tempo. No alto falante uma voz desconhecida informa “Para sua segurança, só ultrapasse a faixa amarela quando o trem abrir a porta”, onde está essa faixa? Sim, ela existe, mas não conseguimos ver, pois estão pisando nela, isso seria um limite de segurança para que ninguém caia no trilho e se machuque ou perca a vida caso o trem venha, porém eles não estão preocupados com isso, o importante é ter o melhor lugar para quando o trem chegar ser o primeiro a entrar e pegar um assento. Por falar nisso o trem está chegando.
  
  A tensão aumenta a cada milímetro que a máquina ferroviária se aproxima, as pessoas ficam mais próximas uma das outras, se espremem mais, quem não quiser participar da aglomeração é melhor se afastar um pouco. E vejam só, com o trem ainda em movimento, tem aqueles que se penduram nas portas, os surfistas de São Paulo. Atenção que é agora, cinco, quatro, três, dois e um, abriu se a porta dos desesperados, quero dizer, as portas dos vagões. “Cuidado minha senhora, sai daí se não quiser ser jogada para dentro ou atropelada pela multidão que entra com toda vontade”. Quando as portas se abrem, é exatamente assim, não há mais respeito, não existe mais nada além daquele banco vazio que eu vou dar a minha vida se preciso for para nele sentar, então as pessoas não se importam com quem está do lado ou na frente, empurram mesmo, se jogam para dentro do trem, ganha a lei do mais forte, quem ficar no meio, é automaticamente empurrado para dentro. Quem está dentro e tem que sair, encontra dificuldade ou sai também empurrando e dando cotoveladas. Nesse entra e sai parece que estamos no Bate Cabeça de algum show de Rock.
  
  Entramos, quem se arriscou e foi o mais forte, conseguiu o seu lugar, os outros ficam em pé mesmo, pendurados nas barras de ferro. Não podemos esquecer que as pessoas conseguem se ajeitar em qualquer situação, pois quem não está nos bancos acabam se sentando no chão, perto das portas, mesmo que venha outra voz desconhecida e diz “Para evitar acidente, não sente no chão”. A porta ainda está aberta, e os vagões não param de encher, a cada pé novo dentro do trem é um espaço a menos que temos, e vamos aos poucos nos espremendo novamente até que não precisamos mais ficar segurando nas barras de ferro, um vai segurando o outro, que prova de união. Uma observação, não é todos os dias que os trens embarcam apertados assim, ainda mais nessa crise de emprego que estamos vivendo o fluxo de pessoas nos transportes em horários de pico tem diminuído bastante, mas existem os dias de sardinhas enlatadas, principalmente quando há os atrasos nos transportes, bastam poucos minutos para tudo virar um caos.
  
  Portas fechadas, os últimos tripulantes já entraram, empurrando um pouquinho mais, agora podemos partir. Quanta gente, nenhum conhecido, todo dia parece que tem gente nova nos trens, e deve ter mesmo. Os celulares ainda continuam, nós adoramos esses aparelhos. Outra coisa interessante é a existência do Shopping Trem, verdade, outra vez aquela voz desconhecida nos alerta “Pedir esmolas e o comércio ambulante são praticas ilegais não incentive essas ações”, mas tem o chocolate por um real, a água, o amendoim, a batata e por ai vai, fora o ramo tecnológico com caixas de som, cartões de memória, cortadores de unhas (atenção, os cortadores de unhas não são aparelhos automáticos e sim manuais), a variedade é grande, vai do gosto, vontade e do que tem no momento. É errado financiarmos esse comércio ilegal? Sabemos que eles não pagam impostos diretamente às autoridades para venderem seus produtos, mas estão pagando os impostos obrigatórios ao comprar a caixa de chocolate, ou ao comprar qualquer outra coisa para revender, desde que não seja pirateada. Muitos também têm suas famílias para sustentar, bom ai fica uma pergunta para cada um pensar. E nessa alegria, ou talvez não, vamos seguindo nossa viagem, começando lotado, mas nas próximas paradas vai esvaziando, o trem vai rápido, exceto ás vezes quando a pertinente voz desconhecida nos tira da paz quando fala “Paramos para aguardar movimentação do trem à frente”, a não, de novo? Algum tempo depois “Próxima estação, Itaim Paulista, desembarque pelo lado direito do trem”. É, chegamos ao nosso destino. Esse foi o relato, em poucas palavras, de como é nossa viagem pelos trens de São Paulo. Você também faz parte dessa massa? E como é sua viagem? Vamos descer que o trem tem que continuar seu percurso, amanha começa tudo novamente.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O Todo é Mente, o Universo é Mental

Falha na MATRIX

Viver o Agora