Saindo da Caverna de Platão
Na postagem anterior tivemos a oportunidade de conhecermos
as profundezas de um mito bastante discutido entre os que amam filosofia. O que
muitos não sabem é que se podem tirar muitas reflexões desse mito, afinal temos
total liberdade pra isso. Partindo desse incentivo ao pensar, vamos deitar em
nossas palavras e conversar sobre os aspectos de se estar dentro e fora da
caverna de Platão.
No relato da Alegoria da Caverna, os homens ali citados
estão acorrentados desde quando nasceram. Podemos comparar a caverna com os
sistemas que vivemos hoje em dia, e assim como aqueles homens nós também
estamos acorrentados nesse sistema já a partir de nosso primeiro respiro de
vida, ou seja, nascemos nele.
Podemos pensar deste sistema, tudo aquilo que o meio social
do qual pertencemos, quer nos impor a fazer, e impõe. Já quando criança, somos
influenciados pela sociedade a não ter vontade própria, todos querem que
sigamos o que já está pronto, recebemos influencias principalmente de nossos
pais, pois estes também assim viveram e isso vai se tornando uma cadeia
alimentar só que de imposições. Nasceu ai a manipulação, e nós manipulados
estamos acorrentados nos pés, nas mãos, nossas cabeças voltadas apenas para uma
direção, a parede.
Na parede da caverna nossos amigos acorrentados enxergavam
as sombras compreendendo que aquilo era o real a ser vivido. Em nossos dias
atuais, em nossas paredes, as sombras que passam, são resultados de tudo o que
a mídia transmite, tudo o que vemos nas redes sociais, toda a influencia de
terceiros. Até, como aqui já dito, imposição das pessoas ao nosso redor,
padrões sociais. Nascemos nessa realidade pronta e formada, somos manipulados a
seguir, a andar na linha. O problema é que há uma base de conhecimento por traz
de tudo isso, a fogueira, e existem pessoas que sabem disso, as manipuladoras,
as que estão por de traz da fogueira. Essas pessoas são minorias e possuem um
grande conhecimento, mas detém esse conhecimento a poucas pessoas. O saber traz
superioridade, então quanto mais ignorantes existirem melhor para poucos se
darem bem.
Por último ficamos sabendo que a verdadeira luz está do lado
de fora, a verdadeira vida, o real. Essas correntes que nos prendem são nada
mais e nada menos do que o comodismo, as zonas de conforto, o aceitável. Mas há
aquele que aos poucos vai se dando conta de que existe algo estranho em tudo àquilo
que vive, é como se uma descarga elétrica de alta voltagem percorresse todo o
seu corpo, “o que estou fazendo da minha vida”, e esse ser consegue se livrar dessas
correntes, e mais, ele vira a cabeça para o lado, ai tudo começa.
O homem que se liberta sofre o primeiro impacto de sua vida,
as sombras não são tudo o que existe, a realidade para ele está mudando de
sentido, “há aqui uma fogueira, o que eu vejo na parede são meras sombras, o
real está aqui, e existem pessoas por de traz deste fogo, manipulando tudo”. O ser
agora perplexo, sabendo que toda a sua vida foi uma fantasia, enxerga uma
saída, com uma luz muito maior que aquela mera fogueira, e ele vai até essa
saída e se depara com... A vida como ela realmente é, liberdade. Agora é possível contestar, julgar e pensar. É
esse o momento de acordar para a realidade e viver. Mas esse homem pensa nos
outros que ainda continuam sendo manipulados, vivendo o comodismo da sociedade,
vivendo sem opinião própria. Então ele volta para a caverna, tenta alertar as
outras pessoas que lá ainda vivem, “meus irmãos, a vida é muito mais que isso,
somos livres, devemos viver nossa liberdade, saiam desse mundo de fantasia e
vamos para o verdadeiro conhecimento”. Mas ele é chamado de louco, os que estão
ali desejam até matá-lo.
Pois é amigos, por muitas vezes somos influenciados, manipulados. Nascemos dentro de um sistema onde já temos um caminho traçado, isso pode fazer com que percamos nosso bem mais precioso, nossa liberdade. O comodismo, nosso grande inimigo, o conforto que ele nos traz. Precisamos nos desprender dessas algemas, a muito que viver e conhecer fora dessas cavernas, passar pelo conhecimento limitado da fogueira, enfrentar os manipuladores e chegar à verdadeira luz. Viver livremente. Mas há aqueles que preferem ficar onde estão, cercados com tudo o que já possuem, o pouco conhecimento já o satisfaz. Cada um trilha sua jornada como achar melhor. Cada um escolhe entre viver dentro ou fora da caverna. E você caro leitor, onde se encontra nesse momento, onde desejaria estar? Reflita.

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